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Crédito e dívidas

Novo Desenrola Brasil foi prorrogado até o fim de agosto: quem tem direito e como renegociar sem cair em outra dívida

Veja quem pode usar o Novo Desenrola Brasil, quais dívidas entram, descontos, juros, FGTS e como avaliar a renegociação sem criar outra dívida.

Pessoa comparando uma proposta de renegociação de dívidas com o orçamento mensal
Antes de aceitar um acordo, compare o desconto, o total das parcelas e o espaço disponível no orçamento.

O Novo Desenrola Brasil ganhou uma nova janela para famílias que ainda precisam reorganizar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Segundo informações divulgadas no fim de julho de 2026, o programa foi estendido até o final de agosto. Mais de 3,6 milhões de contratos já haviam sido renegociados, reduzindo obrigações originalmente avaliadas em cerca de R$ 22 bilhões para aproximadamente R$ 4 bilhões após os acordos.

A oportunidade pode ser importante para quem está negativado ou preso a juros altos. Mas conseguir um desconto não significa, sozinho, resolver o problema financeiro. A renegociação só funciona quando a nova parcela cabe no orçamento e o consumidor não recria a dívida logo depois.

Resposta rápida: podem participar famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos, atualmente R$ 8.105 na referência publicada pelo governo, que tenham dívidas elegíveis de cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal contratadas até 31 de janeiro de 2026 e atrasadas entre 91 dias e dois anos. Os descontos podem variar de 30% a 90%, o novo contrato pode ter juros de até 1,99% ao mês e prazo de até 48 prestações. Antes de aceitar, compare o valor renegociado, o total pago e o impacto nos próximos meses.

O que é o Novo Desenrola Brasil?

O Novo Desenrola Brasil é um programa federal criado para apoiar a reorganização financeira das famílias. Ele combina descontos sobre dívidas em atraso, novos contratos com condições limitadas pelo programa, garantias públicas e possibilidade de uso de parte do FGTS nas condições previstas.

A renegociação não é feita pelo Reservize e nem por uma plataforma genérica. O interessado deve procurar os canais oficiais da instituição financeira responsável pela dívida.

O programa continua aberto em agosto de 2026?

Sim. Embora tenha sido lançado inicialmente com duração limitada, o governo informou no fim de julho que a iniciativa seria estendida até o final de agosto de 2026. Como regras e prazos podem ser alterados, confirme a validade do programa no canal oficial do Ministério da Fazenda e no banco antes de formalizar qualquer acordo.

Verificação em 9 de agosto de 2026: a página oficial do serviço permanece ativa e a Medida Provisória nº 1.355 teve a vigência prorrogada por 60 dias. A oferta depende da participação da instituição financeira; confirme a disponibilidade e as condições no canal oficial do banco antes de contratar.

Quem pode participar?

Pelas regras divulgadas para famílias, é necessário atender aos critérios principais:

  • renda mensal de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105 na referência publicada;
  • dívida contratada até 31 de janeiro de 2026;
  • atraso entre 91 dias e dois anos;
  • dívida em modalidade elegível;
  • instituição participante da renegociação.

Estar negativado, por si só, não garante que qualquer dívida poderá entrar.

Quais dívidas entram?

As modalidades informadas pelo Ministério da Fazenda são:

Cartão de crédito

Inclui dívidas elegíveis relacionadas ao cartão, especialmente aquelas que se transformaram em saldo em atraso. O cartão merece atenção porque uma renegociação pode liberar espaço financeiro e, se o limite voltar a ser usado sem controle, criar duas dívidas ao mesmo tempo.

Cheque especial

O cheque especial pode parecer um saldo negativo temporário, mas é uma linha de crédito. Se entrar na renegociação, compare o custo anterior com o novo contrato.

Crédito pessoal sem consignação

Determinadas operações de crédito pessoal, também chamadas de CDC, podem entrar desde que cumpram as regras de contratação e atraso.

Quais dívidas não devem ser consideradas automaticamente elegíveis?

Não presuma que entram automaticamente:

  • financiamento imobiliário;
  • financiamento de veículo;
  • consignado;
  • aluguel;
  • água, luz e telefone;
  • dívidas tributárias;
  • compras diretamente com varejistas;
  • dívidas empresariais.

Algumas podem ter programas próprios de negociação, mas precisam ser verificadas separadamente.

Qual é o desconto?

A FAQ do Ministério da Fazenda informa descontos de 30% a 90%, variando conforme o tipo da dívida e o tempo de atraso.

Isso não significa que todo consumidor receberá 90%.

Exemplo hipotético

Uma dívida de R$ 10.000 teria, matematicamente:

  • com 30% de desconto: saldo de R$ 7.000;
  • com 50% de desconto: saldo de R$ 5.000;
  • com 70% de desconto: saldo de R$ 3.000;
  • com 90% de desconto: saldo de R$ 1.000.

O valor real é o que estiver na proposta oficial.

Comparação visual entre desconto da dívida e valor das parcelas mensais
O desconto inicial precisa ser comparado com juros, IOF, prazo e total final das parcelas.

O novo contrato tem juros?

Sim. O teto informado é de 1,99% ao mês, além do IOF aplicável. Portanto, é incorreto olhar apenas para o desconto inicial.

Compare:

  1. dívida antiga;
  2. novo saldo;
  3. entrada;
  4. juros;
  5. IOF;
  6. quantidade de parcelas;
  7. valor de cada parcela;
  8. total final a pagar.

É possível parcelar em até quantas vezes?

A renegociação pode chegar a 48 prestações, equivalentes a quatro anos. Um prazo maior reduz a parcela, mas prolonga o comprometimento do orçamento e pode elevar o custo total.

A menor prestação nem sempre é a melhor proposta.

Quando vence a primeira parcela?

A regra divulgada prevê 35 dias para o primeiro pagamento. Esse período deve ser usado para reorganizar o orçamento, não para criar novos gastos.

Existe limite para o novo crédito?

A FAQ informa limite de R$ 15 mil por pessoa em cada instituição financeira no contexto das operações previstas. Isso não representa direito automático a R$ 15 mil nem aprovação garantida.

Posso usar o FGTS?

As regras divulgadas permitem utilizar 20% do saldo da conta do FGTS ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar parcial ou integralmente dívidas dentro das condições do programa.

Antes de fazer isso, pense no custo de oportunidade. Usar FGTS para eliminar uma dívida cara pode reduzir juros futuros, mas também diminui uma reserva que tem funções específicas previstas em lei. A decisão deve considerar a dívida, a estabilidade do emprego e a existência de reserva de emergência.

Todo banco participa?

Não. As instituições podem optar por aderir à renegociação. Procure o banco ou financeira responsável pela sua dívida e confirme se existe proposta para o seu contrato.

Como renegociar passo a passo

1. Liste todas as dívidas

Monte uma lista com:

  • instituição;
  • modalidade;
  • saldo aproximado;
  • data de contratação;
  • tempo de atraso;
  • parcela anterior;
  • situação do CPF.

2. Marque as potencialmente elegíveis

Priorize cartão, cheque especial e crédito pessoal. Depois confirme renda, data da contratação e atraso.

3. Entre somente pelos canais oficiais

Evite links recebidos por WhatsApp, SMS, e-mail desconhecido ou anúncio suspeito.

4. Peça a proposta completa

Não aceite apenas a frase “sua parcela será de R$ X”. Pergunte:

  • valor anterior;
  • desconto;
  • novo saldo;
  • taxa;
  • CET;
  • IOF;
  • número de parcelas;
  • total pago;
  • primeira data de vencimento;
  • entrada;
  • seguros e tarifas.

5. Simule no orçamento

Esta é a etapa que evita uma segunda inadimplência.

Como saber se a nova parcela cabe?

Use uma fórmula simples:

Saldo após renegociação = renda líquida − despesas essenciais − parcelas atuais − nova parcela − recorrências − margem de segurança

Exemplo hipotético

  • renda líquida: R$ 4.000;
  • despesas essenciais: R$ 2.500;
  • outras parcelas: R$ 400;
  • recorrências: R$ 250;
  • nova parcela: R$ 450;
  • margem de segurança: R$ 300.

Resultado: R$ 100.

Mesmo com um acordo aparentemente bom, o orçamento ficaria quase sem espaço para aumento no mercado, transporte, saúde ou manutenção.

Faça um cenário de estresse

Repita a conta imaginando:

  • renda 10% menor;
  • despesas essenciais 10% maiores.

Se o resultado ficar negativo, a parcela pode estar agressiva demais.

Renegociar o cartão e voltar a usar o limite pode recriar a dívida

Um ciclo comum é:

  1. renegociar a dívida antiga;
  2. recuperar parte do limite;
  3. voltar a comprar;
  4. receber nova fatura;
  5. continuar pagando o acordo antigo.

A pessoa termina com duas obrigações.

Depois da renegociação, considere reduzir limite, evitar parcelamentos longos, pagar a fatura integral e remover cartões salvos em aplicativos onde costuma fazer compras por impulso.

Pessoa evitando criar uma nova dívida no cartão após renegociar
Depois do acordo, controlar o uso do limite ajuda a evitar que uma nova fatura se some às parcelas renegociadas.

Vale juntar várias dívidas em uma só?

Pode valer quando reduz custo, simplifica vencimentos e gera uma parcela sustentável. Mas uma prestação menor obtida apenas por alongar muito o prazo pode aumentar o total final.

Compare sempre custo total e prazo.

Como priorizar várias dívidas

Uma ordem possível é observar:

  1. custo da dívida;
  2. velocidade de crescimento;
  3. risco de atraso;
  4. desconto disponível;
  5. importância para o orçamento;
  6. consequência do não pagamento.

Cartão rotativo e cheque especial normalmente merecem atenção porque costumam ser linhas caras.

E se eu não conseguir renegociar tudo?

Não aceite acordos que juntos ultrapassem sua capacidade. Pode ser melhor resolver uma dívida de cada vez, preservar despesas essenciais e evitar novo crédito do que renegociar tudo e voltar a atrasar.

Mais de 3,6 milhões de contratos já foram renegociados

Dados divulgados pelo governo e reportados pela Reuters mostraram mais de 3,6 milhões de contratos renegociados até o fim de julho. As obrigações originais, somadas, passaram de cerca de R$ 22 bilhões para aproximadamente R$ 4 bilhões após os acordos.

O número mostra que descontos relevantes existem, mas não garante que qualquer proposta individual terá o mesmo resultado.

O endividamento das famílias continua alto

Dados do Banco Central reportados pela Reuters mostraram endividamento das famílias em 49,8% da renda acumulada em 12 meses em maio, após recorde de 49,9% em abril. Isso reforça que o acordo é apenas o começo da reorganização financeira.

Plano de 30 dias depois da renegociação

Semana 1 — estabilizar

  • registrar a nova dívida;
  • salvar contrato;
  • anotar vencimento;
  • cancelar gastos desnecessários;
  • revisar cartões.

Semana 2 — controlar

  • registrar despesas;
  • revisar mercado;
  • revisar transporte;
  • revisar assinaturas e serviços.

Semana 3 — criar margem

  • reduzir gastos ajustáveis;
  • criar pequena reserva;
  • evitar novas parcelas.

Semana 4 — revisar

  • comparar saldo real com saldo previsto;
  • confirmar se a parcela do próximo mês cabe;
  • ajustar categorias.

Como usar o Reservize depois da renegociação

O Reservize não negocia dívidas e não participa do programa. Ele pode ajudar a acompanhar o que acontece depois do acordo.

Registre:

  • valor da parcela;
  • quantidade de parcelas;
  • instituição;
  • vencimento;
  • categoria;
  • observações do contrato.

Use recorrências e transações futuras para visualizar a obrigação nos próximos meses. Antes de fazer novas compras no cartão, confira a previsão dos próximos 30 dias e o quanto já está comprometido.

O acordo cabe nos próximos 30 dias?

Depois de renegociar, registre a nova parcela no Reservize e acompanhe o saldo previsto antes de assumir novos gastos.

Organizar minha nova parcela

Calculadora de proposta de renegociação

Compare os valores da proposta

Informe os números exibidos pelo banco para visualizar o desconto nominal e o peso da parcela. Nenhum dado sai do seu dispositivo.

R$
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R$
R$

Esta é uma simulação educativa e não substitui o CET oficial informado pelo banco.

Calculadora de capacidade de pagamento

Pessoa comparando uma proposta de renegociação com o orçamento mensal
Uma parcela precisa ser analisada junto com as despesas atuais e uma margem para imprevistos.

Simule a capacidade de pagamento

Compare o saldo mensal normal com um cenário de renda 10% menor e despesas essenciais 10% maiores.

R$
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R$

Resultado educativo baseado somente nos valores digitados. Considere despesas variáveis e imprevistos antes de assumir compromissos.

Golpes usando o nome do Desenrola

A urgência do programa pode ser usada por criminosos. Desconfie de:

  • Pix antecipado para liberar desconto;
  • boleto recebido de número desconhecido;
  • link encurtado;
  • pedido de senha;
  • pedido de código de autenticação;
  • promessa de 90% garantido;
  • falsa central bancária;
  • pressão para pagar imediatamente.

Procure sempre os canais oficiais da instituição.

Checklist antes de aceitar

  • Minha dívida é elegível.
  • O canal é oficial.
  • Sei o valor da dívida antiga.
  • Sei o novo saldo.
  • Conferi o desconto.
  • Conferi juros e CET.
  • Conferi IOF.
  • Sei o total final.
  • Sei o número de parcelas.
  • Sei a data da primeira parcela.
  • A parcela cabe sem outro crédito.
  • Mantive dinheiro para despesas essenciais.
  • Simulei queda de renda.
  • Planejei não voltar ao rotativo.
  • Guardei contrato e comprovantes.

Perguntas frequentes

O Novo Desenrola está aberto em agosto de 2026?

Segundo informação divulgada no fim de julho, o programa foi estendido até o final de agosto de 2026. Confirme a situação atual nos canais oficiais antes de contratar.

Quem tem direito?

Pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas elegíveis contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 91 dias e dois anos.

Quais dívidas entram?

Cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem consignação, dentro das condições do programa.

Qual é o desconto?

A faixa divulgada é de 30% a 90%, variando conforme dívida, atraso e instituição.

Qual é a taxa máxima?

O novo contrato pode ter taxa de até 1,99% ao mês, além de IOF aplicável.

Quantas parcelas são permitidas?

Até 48 prestações.

Quando vence a primeira parcela?

A regra divulgada prevê prazo de 35 dias para o primeiro pagamento.

Posso usar FGTS?

O programa informa possibilidade de usar 20% do saldo da conta ou até R$ 1 mil, o que for maior, segundo as regras publicadas.

Todo banco participa?

Não. A participação das instituições é opcional.

O Reservize faz a renegociação?

Não. A renegociação é feita com a instituição financeira. O Reservize ajuda a organizar o orçamento e acompanhar a nova parcela.

Conclusão

O Novo Desenrola Brasil pode representar uma oportunidade para reduzir dívidas caras antes do fim de agosto. Mas o melhor acordo não é simplesmente o que oferece o maior desconto. É o que reduz a dívida e continua cabendo na vida real.

Antes de aceitar, compare contrato, juros, CET, prazo e total pago. Depois, transforme a nova parcela em parte do planejamento mensal.

Com o Reservize, você pode acompanhar despesas, categorias, recorrências, parcelas e o saldo previsto dos próximos 30 dias.

Renegociar organiza o passado. Planejar ajuda a proteger o futuro.

Leituras relacionadas

Fontes editoriais

  1. Ministério da Fazenda — perguntas frequentes sobre a renegociação para famílias
  2. Portal Gov.br — serviço de renegociação de dívidas para famílias
  3. Presidência da República — Medida Provisória nº 1.355/2026
  4. Congresso Nacional — Ato nº 53/2026, prorrogação da MP nº 1.355
  5. Reuters, 30 de julho de 2026 — renegociações e endividamento das famílias

Conteúdo atualizado em 9 de agosto de 2026. Regras, prazos e ofertas podem mudar. Consulte o Ministério da Fazenda e a instituição responsável pela dívida antes de contratar.